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ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO DO CARTEIRO



O estudo realizou a análise ergonômica do trabalho do carteiro na cidade de João Pessoa - PB, relacionando o carregamento de peso realizado e as alterações posturais apresentadas pelos profissionais. Conhecer as condições de trabalho do carteiro, quantificar as alterações posturais e as forças incidentes na coluna vertebral, durante o carregamento de peso, foram os principais objetivos do estudo. Analisou-se uma amostra de 15 trabalhadores, que exerciam a atividade de carteiro convencional, com idade variando de 27 a 52 anos. Todos responderam a um questionário que abordava o perfil social e aspectos organizacionais do trabalho. Após a jornada de trabalho, realizaram a marcação do diagrama de dor proposto por Corllet e, através do método New York State, realizou-se a quantificação das alterações posturais encontradas nos indivíduos.

Por meio de fotografias das situações de trabalho, foi realizada a quantificação das alterações posturais dinâmicas. As imagens foram utilizadas no software HARSim (humanoid articulation reaction simulation), que forneceu gráficos relativos à pressão intradiscal, força de cisalhamento e forca axial, para cada segmento da coluna vertebral. A análise revelou que 80% da amostra apresentava alteração postural severa. Em relação aos gráficos, os dados analisados estatisticamente foram os valores máximos das três forças, em relação à coluna lombar e dorsal, e as alterações posturais quantificadas. Para tanto, utilizou-se cálculo de médias, desvio padrão, teste de Wilcoxon, Mann-Whitney, análise de variância com dois fatores de interação e análise de variância multifatorial. Os dados mostraram que há diferença significativa quando comparadas às forças estudadas e as regiões lombar e dorsal da coluna (P=0, 001, em todas elas). Não houve diferença estatisticamente significante quando comparadas às forças e as alterações posturais (para pressão intradiscal máxima: P=0,46); (para força de cisalhamento máxima P=0,82) (para força axial máxima P=0,66). Ao se estudar as forças como variáveis dependentes em relação às alterações posturais e as regiões lombar e dorsal percebeu-se que somente o fator região apresentou dados significativos (P=0,001 para pressão intradiscal máxima e P≡0,000 para força de cisalhamento e força axial máximas). Os dados anteriores foram comprovados pela análise de variância multivariada (P≡0,000 para todos os cálculos referentes à região lombar e dorsal).

Com base nos dados, concluiu-se que: não houve uma relação estatisticamente significante entre o carregamento de peso e as alterações posturais encontradas; há diferença significante apenas no que diz respeito às forças estudadas e a região da coluna onde elas atuam (dorsal ou lombar) e, exceto por três valores encontrados, nenhum indivíduo apresentava forças atuantes na coluna vertebral que, baseados na literatura, pudessem causar danos à suas estruturas. A partir dos resultados encontrados, conclui-se que a organização do trabalho desenvolvido pelos carteiros é precária e pouco planejada, expondo seus trabalhadores a um alto risco de lesões musculoesqueléticas; o peso da bolsa de correspondência, apesar de não ultrapassar valores estabelecidos por alguns estudos, apresenta-se como um provável fator de agravo das alterações posturais encontradas, pelo modo e tempo que é transportado; outros trabalhos exercidos pelos profissionais e a ausência da prática regular de exercícios físicos, podem contribuir para as alterações posturais encontradas nos trabalhadores; os valores máximos das forças estudadas não ultrapassaram os valores limites apresentados pela literatura, porém deve ser considerado que ao longo de muitos anos de serviço, estas forças podem influenciar no aparecimento ou agravo de lesões musculoesqueléticas, principalmente relacionadas à coluna vertebral.

Visando uma melhoria geral na situação de trabalho do carteiro e diminuição nos custos oriundos do absenteísmo do trabalhador, sugerem-se medidas aos trabalhadores e à empresa como: a alternância de posicionamento da bolsa durante o percurso, a fim de evitar concentração de forças atuantes nas mesmas áreas e por longos períodos de tempo; realização de pausas, tanto no trabalho interno como no trabalho externo; investimento em programas de conscientização corporal e postural; revisão dos percursos impostos pela empresa, a fim de que possam equilibrar distância e volume de correspondência para todos os trabalhadores; realização de novos estudos acerca do assunto, contendo um maior número de profissionais na amostra e investigando-se a existência de outros fatores, dentro e fora do ambiente de trabalho, que contribua para o alto índice de alterações posturais encontradas.

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