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As doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,4% de todas as mortes registradas no País em um ano. A alta freqüência do problema coloca o Brasil entre os 10 países com maior índice de mortes por doenças cardiovasculares. O fumo é um inimigo natural do coração. Dia 29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo e é uma ótima oportunidade para abordar os malefícios do tabagismo ao coração. Segundo dados da Fiocruz, o tabagismo causa cerca de 50 doenças diferentes, principalmente as doenças cardiovasculares, como a hipertensão, infarto, angina, e derrame.
Dr. Roberto Rocha e Silva, cirurgião cardiovascular do INCOR e autor do livro Querido Coração, alerta que o tabagismo potencializa o diabetes, colesterol alto e outros fatores familiares que são responsáveis pela obstrução de artérias, causando danos ao coração. O médico explica no livro que os cuidados devem começar aos 20 anos ou antes.
“O tabagista mediano fuma um maço por dia. Aos 40 anos, terá fumado mais ou menos 150.000 cigarros! Tudo isso sem adentrar na discussão de outro risco associado ao tabagismo, que é o desencadeamento de muitos tipos de câncer. Portanto, nunca se esqueça: o tabagismo é uma transgressão suicida”, destaca Dr. Roberto.
Os pais, educadores e médicos devem insistir para que os adolescentes evitem o fumo ou larguem o vício. O livro é justamente ser um alerta para prevenir os fatores de risco e como planejar a qualidade de vida na maturidade.

Falta informação sobre a prevenção de doenças cardiovasculares ou falta empenho da pessoa no cuidado da qualidade de vida?
Pergunta complicada, várias respostas. (1) As informações existem, mas primeiro o profissional tem que disponibilizar tempo para obtê-las. (2) O profissional precisa tempo para transmitir este conhecimento e esclarecer as dúvidas dos pacientes. Isto tudo envolve custo e tempo que nem sempre está disponível no relacionamento entre o médico e pessoa assistida. (3) A pessoa assistida tem que valorizar estas informações e se conscientizar que a opção pela saúde envolve esforço permanente.

O que mudou no diagnóstico e na indicação de tratamento com o aumento da expectativa de vida?
As doenças cardiovasculares aparecem após anos de descuido com eventuais fatores de risco: pressão alta, diabetes, colesterol alterado durante anos promovem o aparecimento progressivo de obstruções nas artérias. Após muitos anos, uma destas obstruções rompe e leva à manifestação agudo do infarto.
O diagnóstico mais importante é justamente o dos fatores de risco: para isso, basta o paciente comparecer ao médico, se possível, ainda na adolescência e manter seguimento de acordo com seu médico. Estas doenças são facilmente diagnosticadas e os novos tratamentos medicamentosos, quando necessários, são extremamente eficientes. Esta atuação evita ou retarda muito o aparecimento das obstruções, aumentando a longevidade e a qualidade de vida das pessoas.
Se a pessoa foi descuidada, o diagnóstico das obstruções já instaladas é realizado com equipamentos cada vez mais confiáveis e permitem o começo do tratamento clínico que hoje, de novo, é extremamente eficiente em evitar o progresso destas obstruções e sua eventual rotura. Com isto, diminuiu a chance de um infarto, prolongando-se a longevidade com qualidade do paciente.

O cigarro ainda é o maior vilão das doenças cardíacas?
É um fato conhecido que é uma quadrilha composta de sete bandidos: cigarro, obesidade, sedentarismo, colesterol, diabetes, pressão alta e fatores familiares. O que varia, para cada um de nós, é número de comparsas e quem se torna o chefe da quadrilha. Olhe bem para os três primeiros elementos: eles estão super relacionados com a vontade (ou falta de vontade) da pessoa.Os outros quatro são mais independentes desta vontade. A intensidade do fator de risco é que vai determinar a chefia da quadrilha para cada pessoa. É evidente que se alguém fuma dois maços por dia por 20 anos, será uma surpresa se ela não apresentar um infarto: nesse caso, o chefe da quadrilha é reconhecido imediatamente.

O relatório da OMS constatou que aumentou drasticamente o colesterol, diabetes e pressão arterial da população. Como diminuir esses índices?
Este três fatores estão intimamente relacionados ao sobrepeso e ao sedentarismo. Hoje nós observamos cerca de 30% de sobrepeso nas escolas. Este problema já dificulta de cara a atividade física. E o caminho para a instalação precoce e agressiva destas doenças está aberto. É urgente a instalação de políticas de saúde pública que orientem os pais a cuidarem de seus filhos em relação à educação alimentar e atividade física. Cabe aqui a intervenção obrigatória de médicos já nas escolas, pois mais da metade das pessoas acometidas, nem se dão conta de que estão com sobrepeso, e que isto caracteriza doença que pode gerar outras doenças.

E o tabagismo? O Ministério da Saúde anunciou que, em 2012, gastou R$ 12 milhões no tratamento a fumantes. Conscientização vai evitar que o jovem comece a fumar?
O tabagismo é um problema complicado. O adolescente tende à rebeldia e o tabagismo é uma evidente transgressão à lógica da saúde. Um ambiente familiar acolhedor pode ajudar a evitar o início. Orientação nas escolas também é muito importante.

Qual seu conselho como médico e como pai para ter um coração saudável?
Evidentemente ler o livro "Querido Coração". Lá você verá que um hábito alimentar adequado, atividade física regular e assistência médica preventiva e ou terapêutica com compreensão e adesão às recomendações são o caminho para um coração saudável. Este caminho requer esforço constante



 
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