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Você conhece Ergoftalmologia?


É o campo da ergonomia que estuda o comportamento do sistema visual frente às diversas demandas interacionais, sejam no trabalho ou fora dele.
E se você soubesse que a cada dia perde um pouco da visão devido às más condições ergonômicas para adaptação visual? O que faria?
Ações trabalhistas estão sendo previstas nessa área, fazendo com que peritos comecem a se aprimorar nesses conhecimentos.

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E fisioterapeutas já conhecem a fisioterapia visual!
Basta aplicarem os conceitos periciais

Como funciona a visão?

1. Histórico:

História dos distúrbios visuais: Bernardino Ramazzini, em seu tratado “De Morbis  Articulum Diatriba” já comentava que operários de pequenos objetos eram afetados pela miopia, orientando que estes deviam desgrudar as vistas de cima destes objetos alguma hora, descansando um pouco estes órgãos.
Oftalmopatologias foram documentadas por grupos, a saber:

-        tóxicas por agentes inorgânicos: chumbo, arsênico, mercúrio, cobre, bário, etc.
-        por radiações: cataratas subcapsulares dos vidraceiros;
-        por graves traumas oculares: por corpos estranhos.

A Ergoftalmologia surgiu nos anos 80 como área interdisciplinar de estudo e pesquisa.
Ocupa-se do assunto “visão e trabalho” com o fim de operar e promover, por um lado a realização de condições de trabalho em completo bem estar visual e por outro conseguir a máxima proteção da integridade funcional do aparato visual dos operadores  (B. Piccoli, 1999). 

2. Sistema Visual:

Consideramos Sistema Visual o conjunto de estruturas responsáveis pela percepção visual. São elas o olho, o nervo ótico e o cérebro (sinapses, comando retroativo e percepção consciente).
No olho, a energia das ondas luminosas é transformada em impulsos bioelétricos, interpretados no córtex cerebral como a imagem do mundo exterior.

3. Anatomia do olho:

Comparado a uma máquina fotográfica, o olho humano possui um conjunto ótico (córnea, cristalino e pupila-íris) que projeta a imagem no filme fotossensível (retina), que passa então por um processo de “digitalização e interpretação”  no cérebro.
O globo ocular é recoberto externamente pela esclerótica, que se modifica anteriormente para a formação da córnea, através da qual os raios luminosos passarão. Internamente apresenta a região pigmentada e bem vascularizada chamada coróide. Ocupando os dois terços posteriores da coróide encontra-se a retina, membrana que contém células receptoras (cones para luz do dia [7 milhões] e bastonetes para visão em ambientes pouco iluminados [130 milhões]).
O cristalino é uma estrutura elástica transparente, mantida no lugar por uma lente- ligamento chamada zonula do corpo ciliar, ligado anteriormente à retina. Em frente ao cristalino fica a íris; porção pigmentada do olho que possui fibras musculares circulares e longitudinais, responsáveis pela contração e dilatação da pupila, respectivamente. O líquido anterior ao cristalino se chama humor aquoso e o posterior se chama humor vítreo, mais gelatinoso.
No polo posterior do olho, 3 graus acima do eixo ótico, encontra-se o nervo ótico. Nessa região a retina não possui receptores visuais. Forma-se daí o “ponto cego”. Próximo a ele se encontra uma região amarelada chamada mácula lútea, correspondente à fóvea. Na fóvea existem apenas cones, numa densidade bem maior (10.000 por mm2), o que faz com que esta área seja a melhor para a resolução e acuidade visual. Cada cone é ligado à sua própria fibra do nervo ótico. É a zona “central” da visão.

4. Revisão Fisiológica:

Como já visto anteriormente, a retina recebe os raios luminosos que atravessam o humor aquoso e o humor vítreo por refração, através da córnea, pupila e cristalino.
A adaptação à claridade é mais rápida que ao escuro, pela redução de sensibilidade induzida pelo estímulo luminoso excessivo.
No entanto, isto ocorre em toda a retina e fóvea, que deixam de perceber objetos menos luminosos. É o caso de uma mesa de fórmica branca que reflete a luz do sol  e impossibilita a leitura de uma tela de computador, sem mesmo Ter relação de reflexos na tela. Alterações em um olho afetam o outro.
Este fenômeno é chamado adaptação parcial da retina.

Campo visual: É parte do ambiente que pode ser abarcado com a visão, estando a cabeça e os olhos imóveis. Os objetos só são bem nítidos no pequeno espaço formado por um cone de um grau, onde se localiza a fóvea. No campo visual média há perda da nitidez do objetos, e no campo visual periférico os objetos são dificilmente percebidos, a não ser que se movimentem. Em média os campos se dividem em:

-        campo nítido: 1 º
-        campo médio: 1 a 40 º
-        campo periférico: 41 a 70 º

Acomodação: É a capacidade de focalizar objetos em diferentes distâncias, desde o infinito até o ponto próximo. A curvatura do cristalino muda, comandada pelo músculo ciliar. Seu grau máximo de relaxamento é quando observamos objetos no infinito.

Presbiopia: É a diminuição da capacidade de acomodação. (ponto próximo ultrapassa 25 cm – acima dos 44 anos)


5. Movimentos Oculares:

O globo ocular é movido por 6 músculos, que permitem ao olho executar vários movimentos rotacionais em torno de diferentes eixos (estes músculos são externos ao globo ocular e não devem ser confundidos com os músculos ciliares, que ficam no interior do globo ocular e realizam as focalizações do cristalino). As rotações para a esquerda e a direita são iguais, podendo atingir 500 cada. Para cima é de 400 e para baixo, de 60o, no máximo, em relação ao eixo visual (linha normal de visão para frente). A rotação em torno desse eixo não supera 10o.
Os olhos podem mover-se com precisão suficiente para realizar cerca de 100.000 fixações diferentes dentro do cone acima descrito, com cerca de 100o de abertura. Os dois olhos movem-se simultaneamente, de forma coordenada, para fazer a convergência dos eixos visuais sobre o objeto fixado. Isso às vezes pode envolver operações complicadas. Por exemplo, a mudança de fixação de um ponto dis­tante para um outro mais próximo, envolve um complicado jogo de contrações musculares que provocam contrações da pupila, acomodação do cristalino e a convergência binocular.
A fixação de um objeto depende de um movimento voluntário e outros invo­luntários. O movimento voluntário é feito deliberadamente pela pessoa, na direção do objeto que se quer fixar.
Os movimentos involuntários são comandados pelo cérebro e permitem que o ob­jeto fixado seja visto com nitidez. Eles ocorrem continuamente e são quase imper­ceptiveis. Classificam-se em três tipos: (a) um tremor contínuo dos olhos, de 30 a 80 ciclos por segundo, que ocorre de forma descoordenada para os dois olhos, para estimular diferentes partes da fóvea central, permitindo uma visão mais nítida (alguns animais como os sapos, que não apresentam esse movimento dos olhos, são ‘cegos” a objetos inertes, só percebendo aqueles em movimento); (b) um desvio lento dos globos oculares em alguma direção indeterminada; e (c) movi­mentos pequenos e bruscos, que procuram compensar os desvios lentos, trazendo a imagem do objeto novamente para dentro da fóvea central.
Movimentos sacádicos. — Durante a leitura ou exame detalhado de diferentes partes de um objeto, o olho não se movimenta continuamente, mas aos ‘pulos’, em diversas fixações sucessivas. Esse movimento é chamado de sacádico. No movimento sacádico, inicialmente, há uma aceleração na direção desejada, se­guido de uma desaceleração e, ao se aproximar do ponto desejado, ocorrem pe­quenas oscilações para fazer o ajuste fino.

6. Mecanismo de Deformação da Imagem:


Os problemas de refração ocular podem ter influência na formação da própria personalidade da criança. O míope pode sentir-se inferiorizado se não puder contar com boa acuidade visual para longe, tornando-se tímido ou mesmo introvertido. Os hipermétropes e os portadores de astigmatismo, pelo desconforto próprio do esforço visual (astenopia) podem vir a criar problemas de disciplina que podem contribuir para originar casos de desajustamento.
ERROS DE REFRAÇÃO


MIOPIA
Condição na qual os objetos próximos podem ser vistos, havendo dificuldade ou incapacidade de focar os objetos distantes. Ocorre com um alongamento do bulbo ocular ou com uma curvatura excessiva da córnea, de modo que a imagem se forma antes da retina (Fig. 3.1).  


(a imagem se forma antes da retina)
Fig. 3.1 Olho míope
O míope tem tendência a limitar suas atividades e interesses para objetos próximos, preferindo leitura e escrita, e evitando brincadeiras que exijam visão a distância ou rápida locomoção. Assim, a miopia pode ser um fator de desenvolvimento de timidez na criança. Como o aumento da miopia está relacionado ao crescimento do bulbo ocular, nada impedirá que ele ocorra: nem o uso de lentes de contato, nem o uso de óculos, ou exercícios oculares, tampouco o repouso da visão. A função da correção óptica é compensar o erro de refração, proporcionando boa visão. A miopia pode ser estacionária ou progressiva. Geralmente, manifesta-se ao redor dos 8 anos de idade, estacionando-se ao redor dos 20. Geralmente o míope franze as pálpebras numa tentativa de melhorar o foco da imagem de longe e aproxima-se dos objetos para ver melhor. O ato de franzir a testa pode causar dor de cabeça e lacrimejamento.

HIPERMETROPIA
Hipermetropia ocorre quando o bulbo ocular é mais curto que o normal (ou a córnea tem curvatura muito plana) e as imagens são focadas atrás da retina (Fig. 3.2).  

(a imagem se  forma atrás da retina)
Fig. 3.2 Olho hipermétrope.


Por ocasião do nascimento, o bulbo ocular não está totalmente desenvolvido. Por isso, a grande maioria é hipermétrope. Com o crescimento, o grau de hipermetropia tende a diminuir ou até evoluir para a miopia.
O hipermétrope pode ter boa visão para longe e dificuldade para perto. A criança com hipermetropia pode não apresentar qualquer alteração visual, pois possui grande capacidade de acomodação, trazendo os raios luminosos para o plano focal da retina por meio da contração da musculatura ciliar e aumentando a capacidade de convergência do cristalino.
Em altos graus de hipermetropia, esse esforço acomodativo pode determinar queixas como cefaléia, sensação de peso ao redor dos olhos, ardor, lacrimejamento e vermelhidão conjuntival, principalmente durante a leitura. Quando isto ocorre, a criança, em geral, torna-se desinteressada por atividades que exijam percepção acurada, não gostando de leitura, trabalhos manuais etc.

ASTIGMATISMO
É mais freqüentemente causado por distorção ou por irregularidade de córnea e/ou de cristalino, que faz com que a imagem levada ao cérebro esteja deformada. Essa imagem irregular exige maior esforço para ser interpretada.
Dependendo do grau e da atividade da criança, a visão pode estar alterada para perto e para longe, desencadeando sinais e queixas como: dor de cabeça, queimação e hiperemia conjuntival. A intensidade das queixas depende da gravidade e do esforço exigido pela atividade visual.
O astigmatismo geralmente aparece no nascimento, sofrendo pouca modificação durante o desenvolvimento. Pode, no entanto, surgir após trauma ocular com comprometimento da córnea, após cirurgia intra-ocular ou em doenças oculares (por exemplo, o ceratocone). O hábito de coçar os olhos favorece o aumento do astigmatismo.

ANISOMETROPIA
A anisometropia refere-se a uma diferença significativa de grau entre os dois olhos, sendo de pelo menos 2 graus para miopia e hipermetropia e de 1 grau para astigmatismo.
Em crianças, quando a anisometropia não é corrigida a tempo, pode levar a ambliopia no olho com maior erro de refração.
A criança com anisometropia, normalmente, não tem queixas, principalmente se um dos olhos tiver boa acuidade visual. Tais casos podem ser detectados somente com triagem visual ou em exame oftalmológico.

ESTRABISMO (olho torto, vesguice)
Representa a perda do paralelismo dos olhos. Nesta situação, como cada olho fixa um ponto, e como as imagens enviadas ao cérebro são diferentes, torna-se impossível ao cérebro juntá-las numa só. Como defesa, para evitar a ocorrência de visão dupla (diplopia), o cérebro anula a imagem do olho desviado, que se torna preguiçoso ou amblíope, tendo como conseqüência o comprometimento da capacidade visual.
Podem ser sinais da presença de estrabismo:
·       visão dupla
·       embaralhamento visual
·       embaçamento aos esforços visuais
·       pular linha na leitura
·       entortar a cabeça para ver melhor
·       fechar um olho na claridade
·       piscar constantemente
Os estrabismos ocorrem em cerca de 2% a 3% da população. O tratamento deve começar nos primeiros sinais de perigo, ou seja, quando a criança começa a apresentar episódios de desvios dos olhos.
Etapas do tratamento
·       Correção do erro de refração com óculos que devem ser usados constantemente.
·       Tratamento da ambliopia com o uso de oclusão.
·       Cirurgia (corretora ou estética).

AMBLIOPIA
É a baixa visão de um ou de ambos os olhos, mesmo com uso de óculos e estando as estruturas oculares aparentemente normais. O olho amblíope não teve amadurecimento normal da visão. É o chamado "olho preguiçoso".
As causas mais freqüentes são: estrabismo, erros de refração (anisometropia, hipermetropia elevada), catarata congênita e qualquer outro fator que impeça o foco de imagens nítidas na retina. O estrabismo é responsável por 50% dos casos de ambliopia. A incidência de ambliopia em escolares é de cerca de 4%.
Por que ocorre a ambliopia?
Cada um dos dois olhos envia uma imagem para o cérebro, que precisa juntá-las em uma só. Quando os dois olhos enviam uma imagem para o mesmo objeto, fica fácil essa fusão das imagens; porém, quando cada olho está fixando um ponto, o cérebro recebe duas imagens muito diferentes entre si e não consegue trabalhar com elas; como defesa, elimina automaticamente a imagem que vem do olho desviado. Essa supressão do olho desviado faz com que não haja desenvolvimento de sua capacidade visual e ele acaba ficando mais fraco (amblíope ou olho preguiçoso).
A ambliopia é tratada com a prescrição de óculos e a utilização de tampão para se estimular o olho preguiçoso a desenvolver a visão. Se o olho amblíope não for tratado, a perda visual será irreversível.

CONJUNTIVITE BACTERIANA
É uma doença bastante comum. Autolimitada, inicia-se geralmente por vermelhidão conjuntival, sensação de areia nos olhos, ardor e lacrimejamento. Em algumas horas, a vermelhidão é maior e o lacrimejamento dá lugar a uma secreção mucopurulenta, que tende, durante o sono, a se acumular nas margens palpebrais; a criança acorda com as pálpebras pregadas por secreção.
As complicações são raras, a menos que se trate de microorganismo de alta virulência ou de paciente com baixa resistência. A acuidade visual só diminui se houver alguma complicação na córnea.
O tratamento consiste em cuidados de higiene local (limpeza com água previamente fervida), administração de colírio de antibiótico.
Cuidados: não usar colírios sem orientação médica, não coçar os olhos, lavar as mãos após manusear os olhos, usar lenço de papel. A doença é bastante contagiosa.

CONJUNTIVITE VIRAL
A doença manifesta-se por vermelhidão conjuntival, lacrimejamento, edema palpebral e secreção aquosa. As crianças apresentam gânglios pré-auriculares sensíveis à palpação. A doença é altamente contagiosa e esse perigo pode continuar por duas semanas após os sintomas terem desaparecido.
Transmite-se de pessoa a pessoa, principalmente por intermédio de objetos contaminados e pelo contato através das mãos. Dissemina-se com maior facilidade em ambientes coletivos (escolas, creches etc).
Pode ser evitada com o afastamento das pessoas afetadas de ambientes coletivos, adotando-se cuidados de higiene pessoal (mãos e rosto sempre limpos, lavados com água e sabão); evitar coçar os olhos; usar lenço de papel, toalha e travesseiro individuais; evitar o uso de objetos de pessoas portadoras de conjuntivite (lápis, borracha, caderno, copo etc).
O tratamento é paliativo, uma vez que não há droga capaz de inibir o crescimento do vírus. Preconiza-se, como medida auxiliar ao tratamento, compressas frias. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de colírio com antibiótico a ser prescrito pelo oftalmologista.

CONJUNTIVITE PRIMAVERIL
É uma conjuntivite crônica que se inicia na infância, acomete mais meninos pode durar de 5 a 15 anos, antes de desaparecer espontaneamente.
Freqüentemente, a criança tem outras alergias. Evolui em crises que são mais freqüentes durante os meses mais quentes.
A sintomatologia é principalmente ligada à coceira ocular, fotofobia e secreção mucosa.
Embora a evolução tende para a regressão espontânea, geralmente, após a puberdade, alguns casos tornam-se bastante graves, com crises quase permanentes, levando a complicações corneanas, tais como úlceras, vascularização e opacificação da córnea.
O tratamento é feito com compressas de água fria e uso de colírio antialérgico. Deve-se orientar a criança para não coçar os olhos.

TRACOMA
O tracoma é uma doença infecciosa da conjuntiva causada pela Chlamydia tracomatis. É uma conjuntivite que pode levar à formação de cicatrizes na conjuntiva e na córnea.
O tracoma já foi muito mais comum no Brasil. Hoje tem sido relatados casos de uma forma atenuada da doença, ocorrendo, principalmente, em crianças desnutridas e com poucas condições de higiene. É importante que se mantenha vigilância sobre essa doença, que pode voltar a ser grave.
A transmissão da doença pode ocorrer através do contato manual, de toalhas ou roupas usadas para limpar o rosto e as mãos. Em crianças pequenas pode, também, resultar do contato direto com secreção ocular e/ou nasal.
Nas fases ativas do tracoma, o tratamento consiste no uso de antibiótico tópico (tetraciclina, eritromicina), em áreas endêmicas, e sistêmico (tetraciclina, doxaciclina ou eritromicina), em casos isolados.
Visando prevenir a propagação e cronificação dessas infecções, as seguintes ações básicas devem ser adotadas:
·       Manter o rosto e as mãos limpas.
·       Não esfregar os olhos.
·       Usar sempre toalhas e lenços individuais.

CATARATA CONGÊNITA
Qualquer opacificação do cristalino presente no nascimento é uma catarata congênita. Tem como causas: anomalia de desenvolvimento, fator hereditário, embriopatia infecciosa, parasitária, tóxica ou por irradiação. Entre as causas infecciosas, ressaltam-se a rubéola, a toxoplasmose e a sífilis materna.
Apresenta-se, em geral, bilateralmente e com localização e formas variáveis. Pode apresentar-se como doença isolada ou associada a outras malformações oculares e sistêmicas.
A opacificação do cristalino pode variar, desde tênue até suficientemente densa, para dar o aspecto de pupila branca (leucocória).
A catarata congênita é a principal causa de cegueira na infância, sendo responsável por cerca de 30% dos casos.
O tratamento é cirúrgico e sua indicação depende do grau de comprometimento da acuidade visual e da avaliação das condições funcionais do olho.

ACIDENTES OCULARES
Grande número de acidentes ocorre na faixa de 5 a 15 anos de idade; 75% das vítimas são do sexo masculino.
No ambiente doméstico e na escola, as crianças são bastante susceptíveis a acidentes durante as horas de recreação.
A maioria dos acidentes acontece dentro ou nas proximidades da casa e as causas mais freqüentes são tesoura e faca de ponta, fragmentos de vidro ou porcelana, arame, brinquedos pontiagudos, tiro de espingarda de pressão, fogos de artifício, mordedura de animais e queimaduras por produtos químicos (álcool, álcali, seiva de vegetal e material de limpeza).

É preciso ter em mente que até os pequenos ferimentos são potencialmente perigosos para o olho, levando à cegueira em certos casos.

Regras gerais para proteção dos olhos:
·       Ambiente seguro para recreação.
·       Supervisão adequada das atividades das crianças, especialmente as recreativas.
·       Seleção de brinquedos de acordo com a idade.
·       Encaminhamento ao médico em caso de acidente ocular.
·       Uso de óculos com lentes endurecidas ou de acrílico.
·       Até os 12 anos, as crianças devem viajar no banco de trás do veículo, e nunca no banco da frente e/ou no colo de um adulto.


7. Fatores que influenciam a discriminação visual:

-        tamanho do objeto e ser focalizado
-        desenho (shape) do objeto
-        diferença de luminância entre figura e fundo (contraste)
-        quantidade de iluminação (iluminamento)
-        ofuscamento
-        posição do objeto
-        tempo de exposição do objeto

Ofuscamento: É a superexposição da retina à luminosidade, com grande perturbação do seu poder de adaptação. Há três tipo de ofuscamento:

a)     Relativo : provocado por excessivo contraste das superfícies iluminadas do campo visual;
b)     Absoluto: a claridade de uma fonte luminosa é tão alta que a adaptação não é mais possível ( luz solar direta nos olhos );
c)     De adaptação: Fase em que a adaptação à claridade ainda não foi atingida, como acender a luz do quarto à noite.

Características do ofuscamento na configuração dos postos de trabalho:

1-     No ofuscamento relativo, a perturbação do potencial de visão          é tão forte quanto mais próximo estiver a fonte luminosa da linha de visão;

2-     Uma fonte de ofuscamento que está acima da linha de visão perturba menos que uma que esteja colocada lateralmente ou logo abaixo da linha de visão;

3-     O risco de ofuscamento é maior quando o nível geral de luminosidade do campo visual é baixo. A sensibilidade da retina é maior diante de diferenças maiores de claridade. Uma janela aberta ofusca menos com o ambiente muito iluminado. O farol aceso não ofusca muito de dia.


8. O poder da visão:

Em muitas situações o aparelho ótico trabalha bem abaixo do seu potencial, porém, em outras, ele tem que responder a grandes exigências, seja pela intensidade, diversidade e quantidade de estímulos a que tem que responder, seja pela duração da exposição a estes estímulos.
O poder da visão para responder às exigências que a ela são feitas depende basicamente de quatro fatores: foco, sensibilidade a contrastes, velocidade de percepção e compreensão da informação.

1.     Foco: é o poder de resolução do olho que, em síntese, é o poder de distinguir pontos ou linhas muito próximos. A capacidade de distinguir dois pontos separados entre si e que representem o ângulo de 1 grau no máximo, normalmente é chamada de acuidade visual.

Regras para a acuidade visual:

-        A acuidade visual aumenta com o grau de iluminação, atingindo seu máximo acima de 1000 lux;
-        A acuidade visual aumenta com o contraste  da densidade luminosa entre os sinais gráficos de teste e sua vizinhança próxima, bem como a nitidez dos limites entre as letras ou números;
-        A acuidade visual é maior para os objetos escuros em fundo claro do que para sinais ou objetos claros em fundo escuro.

2.    
Sensibilidade a contrastes: representa o poder de perceber diferenças de iluminação muito pequenas e volta-se para a percepção de pequenas nuances de sombras, pequenas irregularidades ou pequeníssimas nuances de iluminação.

-        É maior para superfícies grandes do que pequenas;
-        Com limites nítidos é maior do que com imagens borradas ou desfocadas;
-        Cresce com a densidade luminosa do ambiente;
-        É maior quando as bordas do campo visual forem mais escuras que o centro.

3.     Velocidade de percepção: é o espaço de tempo entre a apresentação do objeto e a sua percepção visual. Ela é tanto maior quanto maior for a densidade luminosa e o contraste entre o objeto e seu ambiente.

4.     Compreensão da informação: é a interpretação correta da mensagem enviada pelo sinal ou signo apresentado. Fazem parte do seu estudo a semiótica,  iconografia,  sociolingüística, neuroantropologia e psicodinâmica.

-        É proporcional ao tempo de exposição
-        É proporcional à simplicidade da mensagem, quando for um ícone
-        Depende da legibilidade da fonte, quando texto (letras com serifa são mais legíveis)
-        É proporcional à influência de contraste figura-fundo

9. Comprometimento visual:

9.1.  Sintomas:

Alguns autores, além de estudarem populações com comprometimentos visuais diversos e fazendo uso de métodos diferentes, têm sempre encontrado os mesmos resultados de diminuição da capacidade de acomodação visual no trabalho, após muitas horas. Os principais sintomas foram:

a)     queimação nos olhos
b)     sensação de lacrimejamento
c)     hiperemia das córneas e conjuntivas
d)     cefaléias frontais e occipitais
e)     diplopia
f)      perda da acuidade visual
g)     distúrbios psicossomáticos

A atenção visual muito exigida leva a uma aproximação da cabeça ao objeto, além de induzir posturas estáticas para focalização.

9.2. Astenopia:

É um todo de distúrbios funcionais que se originam quando o aparato visual procura conseguir, recorrendo a artifícios estressantes, resultados funcionais excedentes às próprias possibilidades fisiológicas.

É considerado astenópico o funcionário que refere pelo menos um sintoma com freqüência menor que uma semana, ou dois sintomas com freqüência semanal.

Sintomas:

-        dor
-        irritação
-        queimação
-        vermelhidão
-        sensação de areia
-        visão desfocada
-        visão dupla
-        visão trêmula
-        cefaléia
-        lacrimejamento
-        queimação ocular
-        coceira
-        fotofobia
-        piscamento
-        náusea
-        sensação de peso ocular

9.3. Fatores causais dos distúrbios visuais no trabalho:

a)     agentes químicos:

-        substâncias tóxicas com efeitos deletérios para o sistema visual;
-        formaldeídos (colantes de carpetes, móveis novos, vernizes, etc.);
-        compostos orgânicos voláteis (álcoois);
-        fumaças, pós, fibras
-        ozônio, óxido de nitrogênio (máquinas impressoras)

b)     agentes físicos:

-        microclima (temperatura seca, úmida, velocidade do ar);
-        iluminação;
-        campo eletromagnético

c)     agentes microbiológicos:

-        bactérias;
-        fungos;
-        clamídias;
-        vírus

d)     exigência, duração e intensidade das tarefas;

e)     indivíduos hipersensíveis;

f)      patologias oftalmológicas prévias;

g)     fatores psico emocionais.


10. Fatores físicos importantes na ergortalmologia:

1.     Microclima:

-        fluxos de ar constantes, sistemas de ventilação e de resfriamento ou sistemas de aquecimento ambiental;

2.     Baixa umidade relativa:

-        aumenta a evaporação do filme lacrimal, provocando fenômenos de inflamação conjuntival e de sofrimento da córnea.

Fotometria:

A percepção visual adequada depende da iluminação (quantitativa e qualitativa) e das dificuldades da tarefa. Para a iluminação adequada do ambiente, é necessário observar dois fatores:

a)     o iluminamento (lux): quantidade de lux que incide no posto de trabalho;

b)     a luminância (cd/m2): sensação de brilho, reflexo e ofuscamento.

Luxímetro:

O estudo da fotometria nos locais de trabalho é efetuado quase que exclusivamente pelo luxímetro. Os luxímetros medem a quantidade de energia luminosa que cai sobre um plano de trabalho, porém não mede aquela reenviada aos olhos do trabalhador. O fluxo luminoso exprime um valor médio representado pelo somatório dos vetores luminosos recolhidos pela fotocélula provenientes do ambiente circundante. Dessa forma não é possível Ter os valores relativos às pequenas áreas luminosas.
Os luxímetros medem 100% da energia luminosa que incide perpendicularmente à superfície da fotocélula, mas só 64% da que provém de um ângulo de 50º  e 0% daquela proveniente de um ângulo paralelo. Um homem ereto percebe os raios frontais mais que os verticais ou os posteriores.
Dessa forma, a medida dos parâmetros iluminotécnicos nos locais de trabalho, para Ter boa significância e ser correlativo aos efeitos que a iluminação produz sobre o aparato visual dos operadores, não pode consistir só na medida dos fluxos luminosos, mas deve procurar valer-se de métodos e instrumentos novos.

Conceitos de Fotometria:

a)     fluxo luminoso: é a quantidade de energia luminosa emitida de uma fonte na unidade de tempo. Sua unidade é o lúmen (lm);
b)     Iluminamento: é o fluxo luminoso que encontra a superfície unitária. Sua unidade de medida é o lux (lx);
c)     Intensidade luminosa: é dada, em uma certa direção, da relação entre o fluxo luminoso a aquela direção e o ângulo sólido que o contém;
d)     Luminância: é a intensidade luminosa referida à unidade de superfície. Sua unidade medida é a candela por metro quadrado (cd/m2).

Fases do estudo fotométrico:

1.     Análise das tarefas desenvolvidas pelo operador e individualização dos objetos e/ou das imagens (alvos profissionais) que nas diversas condições ambientais (ação combinada de luz natural e artificial) devem ser observadas pelo desenvolvimento do trabalho;
2.     Delineamento do campo visual profissional (CVP) que é representado pela porção de espaço no interior da qual o operador coloca prevalentemente seu olhar para a execução das diversas tarefas profissionais;
3.     Revelação fotográfica do local de trabalho e da posição do operador. Deve permitir, de um lado, uma precisa e imediata individualização dos pontos onde serão executadas as medições, e de outro lado fornecer uma eficaz interpretação dos dados;
4.     Revelação das iluminações: pontos escolhidos anteriormente;
5.     Cálculo das relações de luminosidades para as áreas colocadas no interior do CVP.

Para as medições de luminância, utiliza-se o luminanciômetro.

O grupo italiano para estudo das relações entre trabalho e visão (GILV) recomenda:

-        O nível de iluminamento dos postos de trabalho com computador não deve exceder  200 lux ( nossa norma diz 350 a 500);
-        A umidade relativa do ambiente deve ser de 40 a 60%
-        A velocidade do ar não pode ultrapassar 0,05 m/s (nossa norma diz 0,75 m/s);
-        A distância do monitor deve ser de no mínimo 70 cm;
-        Criar um campo de flexibilização do campo visual para descanso (planta, aquário);
-        Uso de paredes ou biombos com baixo coeficiente de reflexos;
-        Adequar cortinas para a passagem de luz natural;
-        Eliminar fluxos de ar direto nos olhos dos operadores;
-        controlar agentes químicos e microbiológicos;
-        O campo visual central deve Ter no mínimo 3 vezes o valor do periférico.


11. Transgenerational Design
 
William H. Cushman, Ph.D., CPE
Highland Technologies, Inc.
Dallas/Ft Worth, Texas, USA

As pessoas estão vivendo mais e trabalhando mais tempo. Por este motivo, situações antes não previstas, como acidentes causados por falta de adaptação visual em idosos, têm ocorrido em postos de trabalho para jovens.
O termo Transgenerational Design foi concebido pelo Dr. Cushman para identificar o Design voltado à inclusão do percentil do idoso na massa de trabalho atual do planeta.
O Design Ergonômico atual (baseado em jovens) não contempla os baixos limiares de força e velocidade normalmente verificados em idosos.
Desde placas de sinalização muito próximas de cruzamentos, até pedais de freio duros demais são verificados. Mas não fica nisso. Embalagens de produtos expostos em prateleiras de supermercados possuem cores e tamanhos de letras de pouca visualização para idosos cada vez mais consumidores.

Mudanças da percepção verificadas no idoso:

a)     Visão:

-        perda da sensibilidade à luz
-        ponto próximo mais distante
-        redução da sensibilidade a contrastes
-        mudanças na percepção de cores
-        aumento da sensibilidade ao ofuscamento
-        diminuição do campo visual


Diâmetro pupilar em função da idade
Idade
Dia (mm)
Noite (mm)
20
4,7
8,0
30
4,3
7,0
40
3,9
6,0
50
3,5
5,0
60
3,1
4,1
70
2,7
3,2
80
2,3
2,5

Avaliação do ponto próximo de acomodação
Idade
cm
Polagadas
16
8
3,1
32
12,5
4,9
44
25
9,8
50
50
19,7
60
100
39,4

Perda da sensibilidade a contrastes
idade
Contraste múltiplo
20 - 25
1.00
40
1.17
50
1.58
65
2.66


12.9. Fisiologia da leitura:

Nós podemos distinguir dois processos na leitura: ler no sentido de receber informação ou como processo de procura e localização de informações na escrita. Em ambos os casos, o olhar move-se ao longo de uma linha aos pulos e não em movimento contínuo. Estes pulos se chamam sacadas; elas transcorrem tão rápidas que não são percebidas pelo leitor. Entre os pulos, os olhos ficam imóveis, de mode que uma certa superfície pequena é projetada na retina. Somente na fóvea e no seu campo periférico, a parafóvea, a visão é suficientemente nítida para reconhecer sinais gráficos. Três tipos de sacadas são importantes na leitura:

-        sacadas de leitura (para a direita);
-        sacadas de correção;
-        Sacadas de linhas, correndo para a esquerda.

As sacadas correndo para a direita abrangem um grupo de 8 ± 4 letras. As sacadas de correção só ocorrem eventualmente e são pulos para a esquerda, para retomar palavras perdidas no processo de compreensão.

-        As letras precisam Ter boa legibilidade, ou seja, correspondam ao modelo interno do leitor;
-        Fácil identificação, apresentando-se claramente;
-        Distinção para não haver trocas, como p por q.

12.9.1. Orientações gerais para textos:

-        linhas paralelas devem Ter um espassamento mínimo da altura das letras minúsculas, para não confundirem, nem aumentarem as sacadas de correção;
-        À medida que o campo de visualização aumente, as distâncias devem ser de 1/30 do comprimento da linha;
-        Quanto menor o contraste, maior a dificuldade de  leitura, aumentando o tempo das fixações (ideal em 4 por segundo);
-        Cores devem ser usadas apenas para identificação da localização no campo visual, nunca com significados de sinais gráficos;
-        Evite textos apenas com maiúsculas, pois as letras com traços ascendentes e descendentes contribuem para formar a imagem da palavra:

FOLHAGEM
Folhagem
Folhagem

-        evite espaços em branco excessivos entre as palavras, assim como no alinhamento à direita;
-        Para títulos utilize letras sem serifa: ERGONOMIA
-        para textos, utilize letras com serifa: com serifa, as palavras delineiam uma linha imaginária, facilitando a leitura.








 
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