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O tratamento da escoliose deve ser adaptado para cada paciente e deve levar vários fatores em consideração, incluindo severidade da curva, o tempo de crescimento da curva e o potencial de adesão do paciente

A escoliose é uma deformidade da coluna caracterizada por uma curva exagerada da coluna vertebral. Ele pode ser congênita, secundária a uma condição médica (tal como espinha bífida, perturbações neuromusculares ou tumores), ou, mais comumente, idiopática (sem causa definida).

“A adolescência é a época mais comum para o aparecimento da escoliose idiopática. 3% da população vai exibir um certo grau de escoliose, mas apenas 10% das pessoas necessitam de tratamento para a moléstia. O diagnóstico é feito por meio da medição do ângulo de Cobb. Um ângulo na coluna superior a 10 graus é classificado como escoliose. Saber se um ângulo vai progredir é fundamental na escoliose, pois apenas três décimos de 1% dos pacientes com escoliose apresenta um progresso suficiente para requerer intervenção”, explica o neurocirurgião Eduardo Iunes (CRM-SP 119.864), que é especialista em coluna.

A genética desempenha um fator relevante tanto na presença da escoliose, como no padrão de progressão. Há outros fatores biológicos que desempenham um papel relevante também, incluindo a secreção de hormônios e o equilíbrio e a estrutura do tecido conjuntivo. “As curvas de progressão da doença se acentuam durante a fase de crescimento rápido da adolescência, para depois se estabilizarem, uma vez que a placa de crescimento foi fechada. Por esta razão, qualquer intervenção, para ser bem sucedida, precisa ocorrer antes das placas de crescimento se fundirem”, diz o médico.

Uma companhia americana desenvolveu um exame que analisa o DNA retirado da saliva para identificar quais os pacientes transportam os "marcadores" de progressão de escoliose. Os resultados deste exame podem atribuir ao paciente um risco de progressão da curva da coluna vertebral. O teste tem algumas limitações, incluindo o custo, e precisa de mais produção científica para apoiar a sua validade. Mas a perspectiva é boa de saber que poderemos contar com meios para prevenir avaliações e tratamentos desnecessários no futuro.

Segundo Eduardo Iunes, “a escoliose raramente é debilitante, no entanto, é tratada porque é fonte de uma maior incidência de dor nas costas crônica e pode ser muito devastadora do ponto de vista estético. Em casos raros, pode causar doença pulmonar devido à restrição imposta aos pulmões”.

Programas de rastreamento da escoliose nas escolas são controversos entre os profissionais de saúde. Muitas organizações têm feito declarações políticas sobre este tema e há muita discórdia. A Academia Americana de Médicos de Família é contra a triagem de rotina de escoliose, mas a Academia Americana de Pediatria e a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos apoiam a triagem.

“Em relação a este tema, o que realmente importa é que alguém com um olho treinado observe a coluna da criança ou do pré-adolescente durante a fase de crescimento rápido, entre as idades de 10-14. A triagem para escoliose nas escolas é barata, rápida e, se feita corretamente, pode agilizar o tratamento, mas não deve tomar o lugar de uma consulta médica anual com um pediatra”, destaca o especialista em coluna.

A escoliose é mais facilmente percebida por meio do teste de Adams, quando uma criança se inclina para frente e tenta tocar seus pés. Estudos mostram que as triagens realizadas nas escolas foram capazes de detectar um ângulo de Cobb superior a 10 graus em 75-85% dos casos. Alguns profissionais de saúde utilizam um escoliômetro, um instrumento que é colocado sobre a coluna para calcular o ângulo da coluna vertebral.

Numa triagem, o médico também pode procurar deformidades da escápula, simetria da cintura e comprimento discrepante nas pernas. Em casos de diagnóstico da escoliose, mais informações devem ser recolhidas, incluindo história de dor, dormência ou fraqueza, dificuldade em respirar e trajetória de crescimento. “O médico também vai querer classificar o paciente, segundo a classificação Tanner, que identifica qual fase da puberdade o paciente atingiu. A história familiar também é importante. Depois de recolher todas estas informações, o médico pode achar que um raio-X é indicado”, diz o neurocirurgião.

Uma série de raios-X é feita para confirmar o diagnóstico e a progressão da escoliose. Estes devem ser realizados com o paciente de pé e devem ser tomadas medidas para minimizar a radiação para seios, tireoide e gônadas. “Radiologistas experientes também irão medir o sinal de Risser, que monitora a maturidade esquelética da criança e ajuda a prever a progressão da curva da escoliose. Quanto menor for o grau de Risser, maior é o crescimento da coluna vertebral e, por conseguinte, maior o risco de extensão da curva”, diz Iunes.

Outros riscos para a progressão da escoliose, além de um baixo grau de Risser, são o sexo feminino (3-10 vezes mais probabilidade do que os rapazes), ter uma curva inicial superior a 20 graus e a presença de uma curva dupla. Um ângulo de Cobb de 20 graus ou mais é o ponto recomendado para o encaminhamento para um especialista em escoliose.

“O tratamento da escoliose deve ser adaptado para cada paciente e deve levar vários fatores em consideração, incluindo severidade da curva, o tempo de crescimento da curva e o potencial de adesão do paciente. Pacientes com ângulos de menos de 20 graus podem ser observados e devem ser reexaminados a cada seis meses, até que o crescimento esteja completo. Ângulos superiores, às vezes, podem ainda ser observados, mas se a progressão rápida está ocorrendo, então é recomendado ir se preparando para uma cirurgia. Os pacientes que ainda estão crescendo e têm um ângulo de Cobb superior a 40-50 graus provavelmente precisarão de cirurgia”, informa o médico.

É importante destacar que a órtese não corrige a curva de desvio, simplesmente impede sua progressão. Ela só funciona quando a criança ainda está crescendo. A eficácia da órtese está diretamente relacionada com o número de horas que ela é usada por dia. A diferença de sucesso entre os pacientes que usam sua órtese por cerca de 23 horas por dia contra 16 horas é notável. A órtese pode ser retirada para o banho e para a prática de esportes (natação, ginástica), em outros momentos, deve estar sempre presente. “A literatura médica deixa a desejar quando se trata da eficácia da órtese. Neste sentido, estamos esperando ansiosamente os resultados de um estudo multicêntrico de cinco anos patrocinado pelo National Institutes of Health”, observa o neurocirurgião. Surpreendentemente, os efeitos psicossociais do uso da órtese são mínimos, comprovam estudos recentes. Os adolescentes parecem estar “bem equipados” para usar a órtese.

Com base em estudos disponíveis, não há nenhuma informação que sugira que as intervenções alternativas como a quiropraxia, a fisioterapia ou os programas de exercícios ajudem a impedir a progressão de uma coluna curvada. No entanto, muitos pacientes têm conciliado estas opções terapêuticas com os tratamentos tradicionais.


  
 
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