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Muito cuidado com os descongestionantes nasais

Mais do que em outros momentos, a primavera é a estação que as pessoas mais sofrem com as chamadas alergias respiratórias, que poderão ser desde uma simples rinite, até casos mais graves de asma. A junção das baixas temperaturas com os dias mais secos e poluídos forma o cenário perfeito para a entrada de bactérias, vírus e até dos fungos, grandes desencadeadores dos processos alérgicos. Muitos medicamentos são utilizados para o combate dos problemas respiratórios, mas os descongestionantes nasais surgem como uma forte indicação por parte de muitos médicos.

Estes medicamentos, entretanto, devem ser administrados de maneira controlada e sempre com uma orientação clínica. Segundo o Coordenador Técnico do Projeto Social Brasil Sem Alergia (www.brasilsemalergia.com.br), o médico Marcello Bossois, o uso indiscriminado dos descongestionantes nasais pode causar graves problemas à saúde, como taquicardia, elevação da pressão arterial e a chamada rinite medicamentosa.

De acordo com o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Hospital das Clínicas da cidade de São Paulo, os descongestionantes ocupam o terceiro lugar na lista de problemas causados por efeitos colaterais e uso incorreto de remédios, perdendo apenas para os antiinflamatórios e os analgésicos. Embora sejam responsáveis ainda por desencadear um processo de dependência entre muitos pacientes, há mais de 50 marcas de descongestionantes com venda praticamente livre em todo o país.

A dependência acontece devido a substâncias como: nafazolina, fenoxazolina e oximetazolina, todas presentes na composição desses medicamentos. Como as substâncias são vasoconstritores, acabam por desobstruir as narinas. Por essa propriedade, as gotas devem ser evitadas por cardíacos e hipertensos. “Horas após seu uso, o remédio provoca sensação contrária, dilatando as narinas, gerando o que chamamos de efeito rebote”, comenta Dr Marcello Bossois.

Uma vez dependente, a tendência será de um uso ainda maior por parte de muitos pacientes, o que pode ser bastante perigoso já que o círculo vicioso pode levar à rinite medicamentosa. "E quanto mais se usa, menor é o tempo de ação da droga", diz o médico do Brasil Sem Alergia. Ele ressalta que nem sempre a rinite medicamentosa tem tratamento, sendo, em alguns casos específicos, necessária uma intervenção cirúrgica. "Um paciente mal assistido poderá apresentar alterações significativas nas vias aéreas superiores. E dependendo do grau do problema, quando associado a outras morbidades, poderá até levar a perda do olfato", alerta.
Para o Coordenador do Brasil Sem Alergia, a melhor forma de evitar um uso desnecessário desses remédios e, conseqüentemente, o nariz entupido, é substituí-los pelo soro fisiológico associado ao uso de corticóides nasais. “Esta junção forma uma solução capaz de oferecer praticamente o mesmo resultado que os descongestionantes nasais, porém sem provocar os malefícios de tais medicamentos”, menciona.

O soro fisiológico, que deverá estar em soluções aerossol específicas para aplicação nasal, poderá ser pré-aquecido antes de ser aplicado, evitando irritações na mucosa do nariz. Ao contrário do que muitos imaginam, manter este produto conservado na geladeira poderá ser prejudicial ao quadro alérgico, uma vez que a solução fria deverá irritar a via respiratória do paciente. “A administração do corticóide nasal também deverá ter um acompanhamento clínico constante”, completa o médico.


  

 
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