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Com a colaboração da deputada federal Solange Amaral (DEM-RJ), pré-candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, a comemoração do Dia Nacional do Ciclista vai se tornar confusa. De acordo com a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), a homenagem ocorre no dia 8 de dezembro. O projeto de lei complementar nº 43/2008, de Solange Amaral, estabelece o dia 19 de agosto para a efeméride. A proposta, já aprovada na Câmara dos Deputados, recebeu a sanção da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado hoje (13/5) e segue para votação no plenário da Casa, em regime de urgência.
De acordo com o projeto da deputada, a nova data lembraria a morte do ciclista e biólogo Pedro 

Davison, morto no dia 19 de agosto de 2006 após ser atropelado por um automóvel no Eixo Rodoviário Sul, em Brasília, aos 25 anos. O motorista que o atropelou dirigia em velocidade excessiva e estava embriagado. Louvável a iniciativa do Congresso de registrar o episódio, mas a Casa vai ficar definitivamente ocupada se decidir fazer justiça e lembrar todos os ciclistas mortos diariamente por atropelamento no país. O Congresso bem que poderia dedicar esforços para exigir que os órgãos públicos apresentassem estatísticas atualizadas das mortes no trânsito envolvendo bicicletas. Seria um trabalho mais proveitoso do que impor nova data para o Dia Nacional do Ciclista.
Com o respeito que merece a memória de Pedro Davison, o que torna o acidente que o vitimou mais significativo dos outros tantos? Além disso, por que o Dia Nacional do Ciclista tem de estar associado a um triste episódio? Apesar dos problemas que enfrentamos diariamente no trânsito, andar de bicicleta é antes de tudo um ato de prazer, de saúde, de bem-estar e de preservação do meio do ambiente. Será que a deputada e os demais defensores do projeto esperam que os ciclistas desfilem enlutados no dia 19 de agosto? Associar a comemoração a eventos positivos teria melhor impacto para promover o uso da bicicleta. Basta lembrar, por exemplo, as manifestações bem-humoradas que ocorrem no Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro.


Data confusa

A CBC não explica o que motivou a definição do dia 8 de dezembro como o Dia Nacional do Ciclista. A escolha estaria supostamente relacionada à comemoração internacional da data e também à Madonna Del Ghisallo, padroeira dos ciclistas. Nova confusão: Nossa Senhora Del Ghisallo foi aceita como padroeira dos ciclistas pelo Papa Pio XII no dia 13 de outubro de 1949. No Brasil, em 8 de dezembro é comemorado o Dia da Imaculada Conceição de Maria Santíssima.
Em Porto Alegre, os ciclistas comemoram a Semana da Bicicleta em setembro. Em São Paulo, o Dia do Ciclista é o dia 16 de julho.

Tema recorrente

No ano passado, um levantamento do site G1 apontou que a instituição de dias comemorativos no calendário nacional representou cerca de 10% dos projetos de autoria de deputados federais entre 1999 e abril de 2007. No período, a Casa aprovou 608 projetos de lei complementar, 337 dos quais apresentados por parlamentares e 33 com a finalidade de comemorar datas. A reportagem do G1 foi publicada em maio de 2007. A matéria contabilizava que somente naquela legislatura, iniciada em janeiro, 30 propostas haviam sido sugeridas para assinalar, por exemplo, o Dia Nacional do Frevo, o Dia Nacional do Poeta, o Dia Nacional de Reflexão do Cantando as Diferenças, o Dia Nacional das Etnias, o Dia Nacional do Espiritismo, o Dia Nacional do Ouvidor, o Dia Nacional da Mãe Adotiva e o Dia Nacional do Alerta do Uso Nocivo do Álcool, além do referido Dia Nacional do Ciclista.


 
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