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Novos estudos mostram que pequenos aumentos nos níveis de poluentes podem elevar as chances de desenvolvimento dessas doenças

Poluição: o material particulado (MP), um dos principais poluentes atmosféricos, consiste conjunto de poluentes provenientes da poeira, fumaça e materiais que se mantêm em suspensão na atmosfera devido a seu tamanho reduzido

Dois amplos estudos publicados nesta quarta-feira analisam os danos à saúde provocados pela poluição do ar. O primeiro trabalho, divulgado no periódico The Lancet, mostra que a exposição a curto prazo a poluentes do ar aumenta o risco de hospitalização e morte por insuficiência cardíaca, enquanto a segunda pesquisa, que saiu na revista The Lancet Oncology, alerta para a relação entre material particulado (MP – partículas de poluentes encontradas em suspensão no ar) no ar e o aumento do risco de câncer de pulmão, mesmo em níveis abaixo dos limites impostos pela União Europeia.

O primeiro estudo combinou dados de 35 pesquisas de 12 países que medem o impacto do aumento de poluentes do ar em mortes ou hospitalizações por insuficiência cardíaca. As substâncias analisadas foram monóxido de carbono, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, ozônio e material particulado fino (MP2,5 – com diâmetro de até 2,5 micrômetros) e grosso (MP10 – com até 10 micrômetros). Com exceção do ozônio, todas as demais substâncias apresentaram relação com o problema cardíaco estudado.

Os autores estimam que uma pequena redução nos níveis de apenas um dos maiores poluentes atmosféricos, como o material particulado, poderia evitar cerca de 8.000 internações por insuficiência cardíaca e evitar o gasto de mais de 300 milhões de dólares por ano, só nos Estados Unidos.

Eles calcularam também os riscos para cada poluente. Segundo a pesquisa, as chances de ser internado ou morrer de insuficiência cardíaca cresce 3,52% a cada aumento de uma parte por milhão de monóxido de carbono na atmosfera, 2,36% para 10 partes por bilhão de dióxido de enxofre, 1,70% para 10 partes por bilhão de dióxido de nitrogênio e 2% para cada aumento de 10 microgramas de material particulado por metro cúbico de ar. A elevação dos riscos se mostrou mais forte no dia em que ocorre a exposição aos poluentes.

De acordo com Nicholas Mills, pesquisador da Universidade de Edimburgo e um dos autores do estudo, a insuficiência cardíaca afeta mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo, e é uma das causas mais comuns de internação hospitalar. “A poluição do ar é um fator de risco conhecido para infartos, mas sua relação com outras doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca, é menos clara. Como toda a população está exposta à poluição do ar, mesmo uma pequena redução pode provocar grandes benefícios para a saúde cardiovascular e reduzir gastos com assistência médica”, afirma.

Câncer de pulmão – No segundo estudo, uma equipe de pesquisadores de diversos países europeus analisou o impacto da exposição prolongada ao material particulado (com até 2,5 micrômetros de diâmetro e com até 10 micrômetros) em relação ao risco de desenvolvimento de câncer de pulmão. A pesquisa incluiu dados de 17 estudos em nove países da Europa, totalizando dados de cerca de 313.000 pessoas. Dentre os participantes, 2.095 desenvolveram câncer de pulmão ao longo dos 13 anos em que foram acompanhados pela pesquisa.

Os resultados da análise mostraram que cada aumento de 5 microgramas de PM2,5 por metro cúbico de ar causa um aumento de 18% no risco de desenvolvimento de câncer de pulmão. Já um aumento de 10 microgramas de PM10 por metro cúbico causou um aumento de 22% no risco de desenvolvimento da doença, principalmente o adenocarcinoma, tipo que afeta mais não fumantes.

Segundo os autores do estudo, a relação entre o material particulado e o câncer de pulmão se manteve mesmo em concentrações abaixo do limite recomendado pela União Europeia, que é de 25 micrômetros por metro cúbico para PM2,5 e 40 micrômetros por metro cúbico para PM10.


  
 
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