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“Uma felicidade inexplicável”, definiu a sensação de estar grávida após enfrentar a endometriose a atriz Fernanda Machado. Após enfrentar inclusive uma cirurgia, A atriz comemorou as 19 semanas de Sophia no programa Encontro com Fátima de hoje (27/01). Ela contou que durante dois anos utilizou, como parte do tratamento, um implante que liberava hormônios e a impedia de menstruar. O ginecologista e diretor do Centro de Reprodução Assistida Origen, Marcos Sampaio, respondeu algumas dúvidas comuns nas muitas mulheres que, assim como Fernanda, sofrem de endometriose.
 
O que é a endometriose?
 
É a presença de tecido endometrial (camada que reveste o útero por dentro, onde o embrião interage celularmente com o corpo da mulher) em lugares que não sejam dentro do próprio útero.  A doença é classificada em estágios de desenvolvimento, sendo que em alguns casos é apenas uma variação do normal. Nem sempre essa presença de tecido endometrial fora do útero é considerado doença, ou seja, ter uma endometriose pode ser apenas uma pequena manifestação imunológica ou inflamatória, sem significar uma enfermidade. São quatro graus de classificação: (I) mínima, (II) leve, (III) moderada e (IV) grave.
 
Quais os sintomas?
 
A endometriose pode ser assintomática. Mas, na maioria das vezes, apresenta sintomas como cólica, sangramentos intercícliclos ou retenção de gases. Também há sintomas relacionados à localização da endometriose no corpo da mulher. É o caso de sangramentos retais durante a menstruação, quando a endometriose está localizada no intestino. Mas, é importante lembrar que nem toda mulher com cólica tem endometriose. Em caso de qualquer dúvida, a mulher pode buscar ajuda médica.
 
Quais os exames uma mulher pode fazer para descobrir que tem a doença?
 
Os exames são: ultrassonografia endovaginal, colonoscopia, ressonância magnética, exames de sangue indiretos como o CA 125, e, por último, a videolaparoscopia  com biópsia do local, uma vez que é essencial para o diagnóstico da endometriose a realização desse exame chamado de anatomopatológico. É muito importante enfatizar que, para a diagnosticar a doença, é obrigatória a confirmação microscópica da presença de tecido endometrial no local suspeito de ser afetado pela endometriose.
 
Quais são os tratamentos? Existe cirurgia?
 
Existem tratamentos medicamentosos e cirúrgicos, mas a melhor opção é sempre a gravidez. Para cada caso, as opções devem ser avaliadas junto a um médico especialista. De forma geral, endometrioses de grau leve e moderado podem ter apenas os sintomas tratados, ou então uma terapia a base de hormônios. É muito raro que haja um caráter evolutivo. De qualquer forma, é recomendado que haja controle periódico para ver se há modificações de um ano para o outro. Nos casos de grau III e IV, o ideal é tentar obter a gestação natural ou por reprodução assistida. A cirurgia, na maioria dos casos, deve estar reservada  para sintomas ginecológicos como a dor pélvica limitante. Muito raramente a cirurgia melhora o potencial reprodutivo da mulher, sendo reservada para casos em que já há prole definida ou em situações especiais, após minuciosa discussão entre cirurgião, ginecologista e especialista em reprodução assistida.
 
A endometriose tem alguma relação com o câncer, ou seja, pode virar um câncer?
 
Não, não existe nenhuma relação. A endometriose não pode se tornar um câncer.
 
A mulher já nasce com a endometriose ou ela desenvolve a doença?
 
A mulher não nasce com a doença. Provavelmente, a desenvolve juntamente a uma predisposição familiar. A endometriose é ligada a fatores hormonais. A principal teoria é a do refluxo. Ou seja, quando a mulher menstrua, parte do sangue reflui para a cavidade juntamente com tecido endometrial, fazendo com que as mulheres que não consigam combater a presença deste tecido. Mas, são necessários componentes genéticos e imunológicos que favorecem o aparecimento da doença.  No entanto, a teoria do refluxo não pode explicar todos os casos pois a endometriose também aparece em mulheres que não menstruam, em mulheres sem útero e, em casos extremamente raros, pode se desenvolver em homens.
 
Uma mulher que nunca teve endometriose pode passar a ter a doença? Por quê? Quais os fatores de risco?
 
É uma doença de predisposição genética, imunológica e anatômica. Sendo assim, ela vai aparecer com o passar dos anos e a partir da produção hormonal da mulher, que começa quando ela tem a primeira menstruação. Aparentemente, cigarros, comidas gordurosas, etnia e gestação tardia são fatores de risco. Portanto, a endometriose pode aparecer em qualquer fase da vida em que a mulher esteja exposta a hormônios, mesmo em níveis fisiológicos.
 
A endometriose é uma doença hereditária?
 
Tem componentes hereditários, mas não são 100% determinantes, como exposto acima.
 
A mulher com endometriose tem mais dificuldade para engravidar, mas não é impossível, correto?
 
Correto. Aparentemente, endometrioses de graus I e II não estão associadas à infertilidade. No entanto, as do grau III e IV, sim. Comprovadamente, a endometriose causa infertilidade quando leva a uma lesão tubárea, seja por obstrução ou mesmo aderência. No entanto, no que se refere aos fatores inflamatórios e imunológicos causados por esta patologia as relações com a infertilidade ainda são controversas. A portadora de endometriose deve tentar engravidar espontaneamente por um período estipulado em função de sua idade, antes de recorrer a uma reprodução assistida (1 ano se tiver menos que 35 anos e 6 meses em casos de 36 anos ou mais). Para que a mulher busque apoio da reprodução assistida, também é relevante o grau de endometriose (em casos de graus III e IV é sempre bom ouvir a opinião do especialista).
 
Se a mulher que tem endometriose engravidar, a gestação será de risco?
 
Não. Inclusive, porque o melhor tratamento para a endometriose é a gravidez.
 
O diagnóstico para endometriose às vezes demora anos para ser comprovado? Por quê?

Em muitos casos, a portadora pode ser assintomática. Mas, mesmo com os sintomas aparentes, o diagnóstico definitivo ainda precisa ser comprovado via biópsia.
 
Existe mais de um tipo da endometriose?
 
Sim, mas esta classificação é utilizada apenas para critério científico, não tem relevância clínica.

  
 
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