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Especialista explica que a fragilidade óssea é consequência do sedentarismo


Arqueologia não serve somente para falar sobre tumbas e múmias. É muito mais que isso e nos ajuda a entender o que estamos fazendo com o nosso corpo decorrente das escolhas que a vida moderna nos possibilita. Sempre existirão aspectos positivos e negativos. Mas Dr Fábio Cardoso especialista em medicina preventiva e longevidade nos explica que estudar o passado nos auxilia a entender melhor como podemos melhorar, ah, isto sim é possível.

Ele cita um novo estudo, publicado no jornal PNAS, mostra que enquanto humanos caçadores e coletores há 7.000 anos atrás tinham ossos comparáveis em resistência aos de um orangotango, humanos da mesma área só que há 6.000 anos atrás, mas agricultores, possuíam ossos mais leves e fracos, estando mais sujeitos à fraturas.

A massa óssea era nestes “agricultores” aproximadamente 20% menor que nos “caçadores”. Isto é o que acontece a uma pessoa normal se ficar 3 meses no espaço, sem a ação da gravidade.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge realizaram estudos radiológicos de ossos (Fêmur para ser mais específico – o osso longo da coxa que encaixa no quadril) humano e comparou com o dos primatas, focando mais na área da “cabeça”do fêmur – a parte que encaixa no quadril e muito frequentemente nos dias atuais é relacionada as temidas fraturas na terceira idade, com índices de mortalidade e complicações elevados.

Dois tipos de tecidos formam os ossos: a parte mais externa – cortical – mais dura, e a parte interna – trabecular – mais mole. É a junção destas 2 partes que geram a capacidade dos ossos se adaptarem – ter flexibilidade – e ainda serem resistentes.

Na pesquisa foi notado que no osso trabecular dos humanos caçadores tinha um volume muito superior que os agricultores. E esta parte trabecular é que gera uma capacidade de mudar, se adaptar – os cientistas chamam de “plasticidade” – o que possibilita ao osso mudar de direção e tamanho dependendo das cargas de tensão e esforço físico impostos sobre ele, formando uma “liga” nesta parte do osso esponjoso e mole ficar muito mais resistente.

Após excluir as diferenças na dieta e tamanhos corporais como possíveis causas para esta diferença, os pesquisadores da Universidade de Cambridge concluíram que foram as reduções na atividade física como sendo a verdadeira causa desta “degradação” óssea na escala da evolução – difícil falar que seja, pelo menos no quesito ósseo – humana desta região em 1.000 anos.

Só para lembrar: Dr. Fábio enfatiza que eles eram agricultores, tinham sim trabalho braçal e mesmo assim perderam qualidade óssea. Imagina nos dias atuais, em que as pessoas fazem bem menos com os seus corpos do que estes ancestrais. Aqui o sinal de alerta para evitar em muito o sedentarismo está tocando em alto e bom som.

Algumas hipóteses foram formuladas com os dados desta pesquisa para pensarmos em como evitar que esta situação ocorra:
  1. Exercício e não a dieta – como geralmente se pensa, todo mundo quer repor cálcio e vitamina D – é a chave para prevenir riscos de fratura e osteoporose na vida adulta;
  2. E este exercício deve ser iniciado precocemente, já na primeira infância, e deve ser realizada de forma contínua, para produzir um pico maior de resistência e massa óssea próximo dos 30 anos de idade, o que nos gera alguma proteção para reduzir osteoporose e fraturas na terceira idade.

Outra informação importante dada pelo Dr Fábio é que NÃO EXISTE NENHUM MOTIVO ANATÔMICO OU GENÉTICO que impeça uma pessoa nascida atualmente alcançar a qualidade óssea do orangotango (que usamos de exemplo no início do texto). Mas a verdade é que mesmo a maioria das pessoas ativas nos dias atuais não têm com tanta frequência e intensidade níveis de esforço e stress físico capazes de gerar esta “adaptação Wolverine” em nossos ossos.
Em nosso processo de evolução como espécie, temos aproximadamente 50.000 anos de história, e muita ação e esforço físico foi necessária para chegarmos até aqui. E nos últimos 50-100 anos foi que nos tornamos realmente “evoluídos” e nos tornamos endemicamente sedentários.




Mais sobre Dr Fábio Cardoso :
Dr. Fábio S. Cardoso CRM-SC 11796

Medico do esporte, especialista em medicina preventiva e longevidade.
Especialista em Medicina Intensiva Adulto, pelo MEC e Sociedade Brasileira de Medicina Intensiva,
Especialista em Medicina Preventiva e Longevidade,
Pós-graduado em Medicina do Esporte,
Membro da Associação Brasileira de Medicina Anti-Envelhecimento
Membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte
Membro do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM)
Membro do Comitê de Esportes de Combate do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM) Colégio Americano de Medicina do Esporte
Membro da National Athletics Training Association (NATA).
Membro da American Association of Professional Ringside Physicians (AAPRP)
Membro da Brazil-American Academy for Integrative & Regenerative Medicine
Colunista em revistas especializadas
Presença constante nas publicações de peso
Palestrante dos eventos de saúde mais importantes do país, 



 
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