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O caso do copiloto do voo da Germanwings, que colidiu contra os Alpes da França no último dia 24, o alemão Andreas Lubitz, 28 anos, traz à tona uma questão ainda mal resolvida nas empresas: como lidar com as doenças da mente. Tudo isso parece muito paradoxal, em especial em uma época em que se estimula a heterogeneidade, seja ela física ou sexual. Em um mundo complexo, rápido e exigente, colaboradores sentem-se pressionados com as metas impostas, a competição ou medo de perder o emprego. Junte agora o mundo externo e interno e, pronto, está criado o caldeirão para que estresse, depressão e seus congêneres apareçam.

Quem já passou por algo semelhante sabe as dificuldades em lidar com calafrios, suor nas mãos, dores no peito e ansiedade, que aparecem em situações corriqueiras do dia a dia. Conversar com aquele cliente difícil, participar de reuniões, estabelecer metas e delegar atividades tornam-se pesadelos instransponíveis. Vale salientar que os sinais aparecem de maneira gradual, todavia a maioria acaba demorando demais para consultar um profissional, exacerbando-se os sintomas.

Esta demora decorre, em parte, da dificuldade em relatar o problema, já que poucas empresas têm políticas claras e profissionais de suporte ao funcionário doente. Isso faz com que muitos continuem a esconder sua situação, passando aos colegas e superiores a impressão de incompetência, falta de comprometimento ou desmotivação, gerando, em última instância, episódios traumáticos, tais como crises de choro e ataques de ansiedade e pânico, prejudicando sua vida profissional e pessoal.

Só quem viveu ou está vivendo esse problema sabe o quão doloroso e difícil é gerenciá-lo. Desta maneira, listo abaixo quatro dicas que aprendi com profissionais pressionados que passaram por esta situação.

1 - Conhecer os seus limites: Este talvez seja o primeiro passo para qualquer profissional. Embriagados pelo poder, status e rendimentos provenientes de cargos elevados, buscam, a qualquer custo, promoções, as quais, muitas vezes, demoram, tardam ou nunca chegam, seja por motivos externos ou mesmo falta de capacidade. Aqueles que não conhecem seus limites se frustram, culpam os demais e vivem infelizes. Porta aberta para as doenças da mente.

2 - Saber desligar-se do trabalho: Conheci profissionais que viviam para a empresa, a qual ocupava a 
primeira, a segunda e a terceira posição em suas vidas. Não pestanejavam em faltar a festas dos filhos, esquecer-se de aniversários, datas importantes ou desmarcar as férias com a família. Viviam e davam sua alma para a corporação. Esquecendo-se, porém, que do outro lado dessa relação estava uma pessoa jurídica, bem mais fria e distante. Nestes casos, demissões costumam ser bombas relógios.

3 - Dar-se o respeito: Em toda empresa há lideres que inspiram e chefes que atormentam. O problema é quando a relação torna-se insustentável, e em muitos casos, pessoal. Tão ruim ou pior que a dificuldade em lidar com as doenças da mente, é a questão do assédio moral, ainda um tabu em muitas corporações. Neste caso, impor limites, saber dizer não, valorizar-se e posicionar-se é de extrema importância para a manutenção de sua saúde mental.

4- Escolha seus grandes ovos: Felizes os profissionais que não precisam chegar a situações extremas para saber que outras prioridades devem fazer parte de sua vida. Esposa ou marido, filhos e amigos, saúde física e mental são, tão ou mais importantes, que o sucesso profissional. Quem já precisou se afastar sabe a importância do cuidado de familiares, do ombro amigo e da atividade física e mental, geradoras de serotonina e bem estar.

Nem todos precisam fazer testes psicológicos frequentes, como deveria ter sido feito no caso do copiloto. Todavia, cabe somente a nós mantermos nossa sanidade mental, levando uma vida mais equilibrada, conhecendo nossos limites, sabendo dizer não, valorizando aos que nos valorizam, evitando colocar todos os ovos na mesma cesta. Aprendi a duras penas que emprego arrumamos outro, mas saúde a gente só tem uma. 

Marcos Morita é executivo, professor, palestrante e consultor. Sua palestra, As 4 Chaves do Pensamento Estratégico, vista por centenas de executivos, aborda de maneira lúdica e participativa, temas como definição de metas, inovação, gerenciamento do tempo e motivação.

Sobre Marcos Morita:
www.marcosmorita.com.br

Marcos Morita é um executivo de negócios sênior da área comercial, com ênfase em canais de distribuição, com mais de 18 anos experiência de mercado. Possui expertise para ministrar palestras sobre abertura, desenvolvimento e gerenciamento de canais de distribuição, criação de politicas comerciais, planejamento estratégico, desenvolvimento de políticas de marketing, formação e gestão de equipes.

Informações para a imprensa:
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