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Com a crise hídrica se espalhando pelo país, fica a dúvida se o uso de reservas alternativas, como o volume morto do Sistema Cantareira, em São Paulo, ou a coleta de água em bicas tem uma qualidade inferior à do líquido que antes saía das torneiras de casa.

No Estado de São Paulo, onde há escassez em várias regiões, moradores relatam a chegada de água com cor de barro e gosto acentuado. Nestes casos, é aconselhável trocar o consumo desta água por água mineral? O filtro que temos em casa é capaz de deixar a água mais palatável ao consumo? Qual é a diferença entre estes tipos de água e qual é a melhor opção para a saúde? 

Segundo especialistas consultados pelo UOL, em cidades onde há estações de tratamento de água e de esgoto, a água que chega às residências é potável, portanto, pode ser consumida de forma tão segura como a água do filtro ou água mineral. Onde não há sistema de tratamento, a água deve ser captada e fervida por 15 minutos antes de ser consumida. A água mineral, como o nome já diz, é fonte de minerais benéficos à saúde, ao passo que filtros e purificadores têm a função de eliminar os possíveis resíduos que vêm da rua, e diminuir o gosto da água.

A portaria 2.914, de 12 de dezembro de 2011, do Ministério da Saúde, elenca os procedimentos de controle de qualidade da água potável para o consumo humano e assegura que ela pode ser usada para beber, cozinhar e para higiene pessoal.

Água de beber

Para ser considerada potável, a água deve apresentar quatro características: ser insípida (não ter gosto), inodora (não ter cheiro), incolor (não ter cor) e ser desprovida de microrganismos que causam doenças, como os coliformes fecais.

A água potável vinda da rua pode ser bebida, mesmo apresentando o conhecido "gosto de torneira", fruto do cloro usado no tratamento e dos metais presentes na água.

"A água da torneira é potável. Se você tiver certeza que a caixa d'água está limpinha, sempre bem cuidada, pode beber tranquilamente. A água tratada pode ter gosto característico pelo excesso de cloro ou às vezes do próprio manancial", diz Edson Aparecido Abdul Nour, professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp.

Segundo o especialista em água de reúso, 500 microorganismos a cada cem mililitros de água reservada em uma caixa d'água limpa é um indicativo de água de boa qualidade.

"A água da rua obedece a legislação, mas depois que ela entra em casa, o morador é o responsável por sua qualidade", diz.

E na época de seca?

Já no período que envolve a época de seca, a qualidade da água pode realmente ser prejudicada, explica o especialista Edson Abdul Nour.

Isso porque em época de escassez de água a vazão dos rios diminui, mas a entrada de esgoto, mesmo tratado, continua a mesma, aumentando a concentração de poluentes e contaminantes nas águas.

No início das chuvas, essas águas 'lavam' a sujeira depositada nos rios, causando impacto na qualidade da água.

"Épocas de seca ou de início das chuvas podem alterar a qualidade da água e deixar um gosto residual, mesmo sendo tratada. O sabor é controlado, mas há pessoas que são mais sensíveis do que outras", diz.

Água não tratada causa doenças

Em locais onde a água não é tratada, os moradores ficam mais suscetíveis a beber água de má qualidade e, consequentemente, a contrair bactérias como a Salmonella, que causa a febre tifoide, e Escherichia coli, que causa diarreia, infecção urinária e colite, além de doenças como o cólera e toxoplasmose, de acordo com a infectologista Heloísa Ramos Lacerda, diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

"Há maior risco de contrair principalmente infecções gastrointestinais pelo contato com bactérias ou protozoários. E o risco de contrair dengue pelo armazenamento de água [onde as larvas do mosquito Aedes aegypti se reproduzem]", afirma Lacerda.

Embora o governo seja responsável pela qualidade da água que chega às residências, que deve respeitar o padrão estabelecido na legislação brasileira, 23,8 milhões de lares brasileiros não contam com saneamento básico, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013, divulgado em setembro deste ano.

Água mineral versus água potável

Diferentemente da água potável que suscita muitas dúvidas, a água mineral é considerada confiável por ser retirada de fontes naturais e ter função medicamentosa, isto é, minerais que fazem bem à saúde. Porém, algumas amostras também passam por testes de qualidade que avaliam se a quantidade de minerais em sua composição é indicada para consumo humano e se ela está livre de organismos que causam doenças, de acordo com a legislação brasileira.

"A água mineral tem diferentes componentes, incluindo minerais como o ferro e o magnésio. A água mineral benéfica à saúde tem que ter 500 miligramas de minerais por litro", afirma o nutrólogo José Alves Lara Neto, vice-presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

É o decreto-lei 7.841, de 8 de agosto de 1945, da Presidência da República, que dispõe as normas para a extração e o comércio deste tipo de bebida desde então.

Depois de retirada da fonte, a água mineral deve ser diretamente engarrafada e armazenada em local fresco e arejado para se manter segura para o consumo. A água mineral em si não tem prazo de validade, mas a forma como ela é estocada pode fazer o líquido ser contaminado e se deteriorar. 

"O consumidor tem que avaliar se a água está bem armazenada, se a garrafa não parece gasta. O recomendável é que ela fique longe do sol porque isso afeta a qualidade do líquido e, se houver alguma contaminação, pode desenvolver algas dentro do frasco, diz Nour.

Uma das desvantagens da água mineral em relação à água potável é a falta de flúor em sua composição, embora haja água mineral fluoretada. O flúor é um forte aliado na redução da incidência de cáries.

Apesar de terem o mesmo poder de hidratação das águas minerais não gasosas, as que contêm gás têm dióxido de carbono, composto químico capaz de aumentar o risco de osteoporose.

A água mineral também tem sódio que em quantidades maiores do que o recomendado (200 miligramas por litro), aumenta o risco de várias doenças.

"O dióxido de carbono composto na água tende a competir com o cálcio, diminuindo sua absorção no organismo e aumentando o risco de osteoporose", diz Lara Neto.

"Se tiver sódio em excesso na água, seu consumo pode aumentar o risco de desidratação, hipertensão, cálculo renal ou de bexiga e problemas cardíacos", diz Nour.

 
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