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“A vida não pára... Mesmo quanto tudo pede um pouco de calma... Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma... Nem quando todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que tudo isso é normal eu finjo ter paciência... Será que temos esse tempo para perder?”

Conhecimento da realidade do outro pela sociedade atual é fato. Vivência ou experiência alguns já o tiveram. Inquietação, ação e luta por mudanças alguns menos ainda. Numa sociedade em que a grande maioria inspira individualidade, competitividade, materialismo e expira desigualdade, opressão e apatia, poderia nos produzir uma sensação de que “não vale mais a pena” ou que teremos que ser super-mega-heróis para lutar por algo que as outras pessoas não estão enxergando.

De certa forma parece que a sociedade, ao longo de sua história, se encarregou de fragmentar as soluções dos problemas da própria sociedade. As universidades seriam o lócus da criação dessas idéias de resoluções e as profissões a maneira pelo qual isso poderia ser resolvido.

Historicamente, a profissão Fisioterapeuta surgiu com o “modesto” papel de devolver para a sociedade pessoas novamente aptas ao trabalho após terem sofrido algum trauma (da guerra ou das indústrias) que os deixaram “deficientes” ou “incapacitadas”.

Capacitar os incapacitados? Incumbência do super-herói Fisioterapeuta...!!! “Poder” esse que a sociedade nos delegou e que ainda hoje se encontra presente nos “ideais” de grande parte de nossos profissionais... porque somos os profissionais que devolveremos a dádiva do movimento às pessoas deficientes!!!???

Atualmente, alguns profissionais percebem e idealizam o movimento humano sob vários outros ângulos e possibilidades.

Confesso até que uma das minhas grandes realizações dentro da profissão é ver o nosso paciente realizando um micromovimento, um dedo que seja. A grande diferença que vejo nessa realização pessoal é se esse movimento conquistado por ele, faz sentido para ele mesmo.

Atualmente ser Fisioterapeuta e, antes de tudo, profissional da saúde, é estar realizada também com outros pequenos grandes avanços e desafios. Nesse momento, ser residente em saúde da família é vivenciar a concretude desses desafios. Quem diria que um dia, nós profissionais super-heróis, sairíamos das nossas lindas clínicas e dos grandes hospitais e estaríamos promovendo saúde com a população tão próxima a nós? Ou será, nós tão próximos a eles?

Essa paixão mútua entre o fisioterapeuta e a população está sendo fortemente construída. Essa percepção vai muito mais além do corporativismo, do reconhecimento e valorização pela população da nossa profissão. É a certeza de que ser a “ponta da flecha” é desafiador, possível de ser realizado e que podemos fazer parte do agir de novas formas de saúde.

Ser Fisioterapeuta nesse novo espaço de atuação é recriar diariamente. É aprender, ensinar, trocar com cada pessoa da comunidade, com os grupos, com a equipe, com a gestão, com a academia, com as vivências diárias... é ser participante dos projetos de felicidade das pessoas!

Tudo é muito complexo, mas cheio de possibilidades. E essas possibilidades ampliadas nos aproximam dos usuários.

Ser o terapeuta (como carinhosamente chamado por alguns) reflete uma nova forma do profissional agir frente a situações de sofrimento. Na terapêutica individual o toque é nosso “remédio prescrito” sem efeitos colaterais, sendo uma das grandes potencialidades que permite intimidade, confiança, recuperação, percepção de superação e força interior. Na formação de grupos, quando consigo me estimular com a superação do movimento do outro, contra as dores, em favor das trocas interpessoais. 

No acolhimento, quando escuto o sofrimento alheio com a ampliação do meu olhar fisioterapêuticamente biológico. Quando construo planos terapêuticos com a equipe, numa troca de conhecimentos em que o usuário será cuidado integralmente. Quando percebo o movimento da comunidade e dialogo horizontalmente com ela.

Trabalhar com o movimento humano de uma forma que faça sentido para as pessoas e para a comunidade é remar contra a maré, é ser contra-hegemônico, quando se pensa na Fisioterapia tradicional.

Em muitos casos essa relação profissional-usuário (ou educador-educando) chega a ser tão íntima e valorizada que gera um ciclo de dependência dos usuários com as práticas que desenvolvemos.

Em algumas dessas situações, tenho as recaídas da visão construída na graduação, que sou ou poderia estar sendo um super-herói para dar conta de tudo, para minimizar minha impotência em várias situações vivenciadas. Grande parte das pessoas necessita apoio, sua rede de suporte está pequena e o profissional de saúde acaba fazendo parte dela. Porém (e ainda bem!), vejo que sou um ator importante nisso tudo, mas que o mais importante é essa busca conjunta com as pessoas pela autonomia no caminhar com suas vidas.

O mais interessante disso tudo é que esse “poder” o super-herói não possui. Tudo isso precede conhecimento, vivência, sensibilidade, abertura, troca e paixão pelo que faz. E os grandes feitos e as missões cumpridas, se bem percebidos, fazem parte constantemente do nosso cotidiano. Entender que os pequenos avanços são os mais avançados é prosperar na luta!

Fonte: RevistaFisiobrasil
 
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