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As estimulações transcranianas são técnicas baseadas na aplicação ou indução de correntes elétricas no sistema nervoso de forma segura e não invasiva em indivíduos conscientes.  Estas técnicas, amplamente usadas por fisioterapeutas vêm ganhando destaque no cenário mundial por auxiliarem tanto no diagnóstico e tratamento de uma série de condições clínicas, quanto no estudo do funcionamento do sistema nervoso. Dentre as técnicas de neuromodulação cerebral, três têm sido amplamente estudadas, a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), a estimulação magnética transcraniana (EMT) e a eletroestimulação periférica (EP).
   
    A ETCC consiste em uma técnica de modulação cortical não invasiva e indolor, que, através da aplicação de corrente contínua de baixa intensidade sobre o crânio, é capaz de gerar uma neuromodulação da excitabilidade cortical e assim interferir no desempenho de diferentes funções. Desta forma, pode influenciar as funções motoras e sensoriais (NITSCHE et al., 2007). Seus efeitos dependem principalmente da polaridade de corrente aplicada, da sua intensidade, do tempo de aplicação, da área estimulada e da densidade de corrente (NITSCHE et al. 2007;2008;LIEBETANZ et al. 2002). Terapia de baixo custo e resultados válidos na fisioterapia.

    A EMT é baseada no princípio de indução eletromagnética, descoberto por Faraday em 1838. Uma bobina pequena que recebe uma corrente elétrica alternada extremamente potente é colocada sobre o crânio humano (KOBAYASHI e PASCUAL- LEONE, 2003). A mudança constante da orientação da corrente elétrica dentro da bobina é capaz de gerar um campo magnético que atravessa a pele e os ossos. Durante a aplicação da EMT, correntes elétricas são induzidas em áreas corticais que podem despolarizar neurônios e gerar potenciais de ação que fazem a neuromodulação (KOBAYASHI e PASCUALLEONE, 2003).

   Por meio da observação e análise das características dos potenciais de ação induzidos pela EMT é possível avaliar diferentes aspectos da neuromodulação (KREUZER et al., 2011;PASCUAL-LEONE, 1994; ARAÚJO, 2011) com boa resolução temporal, espacial e funcional (BOGGIO et al., 2006). Essas características tornam a EMT uma ferramenta indiscutivelmente útil para o diagnóstico fisioterapêutico, fornecendo dados sobre plasticidade cerebral, representação de músculos e funções facilitatórias e inibitórias do cérebro. 

     A EP é utilizada há muito tempo, mas só recentemente seus efeitos sobre o comportamento e plasticidade cerebral têm sido desvendados.  A aplicação de EP provocando contrações musculares pode aumentar a excitabilidade cortical, tal como a ETCC anódica ou a EMT-r de alta frequência (CHIPCHASE et al., 2011SCHABRUN e CHIPCHASE, 2012).  Com isso é possível promover plasticidade de forma seletiva na representação de músculos no córtex cerebral, inibindo ou facilitando sua atividade.  Isto pode ser de especial ajuda para tratar de distúrbios de movimento onde existe hiperatividade de alguns músculos em detrimento da hipoatividade de outros.

   As técnicas de neuromodulação podem ser utilizadas de forma isolada, ou combinada com algum tipo de intervenção motora, com o intuito de maximizar os efeitos de técnicas terapêuticas subsequentes (SCHABRUN e CHIPCHASE, 2012). Estudos que associaram à estimulação cerebral com a terapia ocupacional (NAIR et al.,2011), com a terapia de contensão e indução do movimento (BOLOGNINI et al., 2011) e com o treino assistido robótico para o membro superior (HESSE et al.,2007) apresentaram bons resultados. O mesmo aconteceu no caso do controle da dor (SOLA et al., 2010; BECERRA et al., submetido).  Iosa e colaboradores (2012) apontam a ETCC entre as sete tecnologias mais promissoras para o futuro da reabilitação de pacientes pós- AVE, e que pacientes poderão se beneficiar do seu uso através da combinação com outras intervenções convencionais, sugerindo que a associação destas tecnologias deve ser empregada.

Prof. Kátia Monte-Silva, UFPE
Prof. Abrahão Fontes Baptista, UFBA
Professores do Programa
 
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